Das inúmeras coisas que se aprende com os filhos ( biológicos e os agregados ), algumas ficam marcadas para sempre. Lembrando da Mari e do Luiz quando pequenos ( agora com 23 e 20 anos respectivamente ), são infinitos os registros de momentos tatuados no meu coração. Com a Mari reaprendi a "entrar de cabeça" no que se gosta. Quando se alimentava, detestava talheres e escolhia com os dedinhos suas preferências e fazia isso com sopa, macarrão, o que fosse... Ficava inteiramente lambuzada! Demonstrava assim, que já sabia bem o que queria e como conquistar o que queria. Marcou também o dia em que no auge de seus mal acabados três aninhos, pegou do berço o irmão com poucos meses de vida, e apareceu com ele na sala, surpreendendo a todos. Como ela o retirou do berço? Ninguém nunca soube. Trago a imagem do bebê quase escorregando de seus curtos bracinhos... Desde aquele momento soube que iria fundo nas coisas às quais acreditaria. Lição de grande valia para mim! Quando fazíamos um passeio à pé pela rua, vimos um ratinho morto e ela chorou copiosamente preocupada com a "mãezinha " dele...Afeto de quem se preocupa com o outro...Ela tinha apenas quatro aninhos...
O Luiz sempre carinhoso demonstrava um profundo carinho e respeito pelo avô. Mesmo pequeno, o procurava sempre para saber se estava bem ou precisando de alguma coisa. Reaprendi com ele, a ouvir mais e procurar mais do que esperar que façam isso por mim. Ainda muito pequeno, quando voltávamos de carro da escola para casa, presenciamos um assalto com vítima fatal. Um rapaz havia sido assaltado e morto. Ele espontaneamente disse: " Coitadinha da mãe do moço, vai ficar esperando por ele e ele não vai voltar"... Acho que tinha uns cinco anos então. Quando seus peixinhos morreram, falou: " Vou pedir prô Senna (Airton) tomar conta deles no céu..." Com meu filho aprendi também, a tentar ter a alma pura.
Mais tarde fui presenteada com mais duas lindas crianças: Kaique e Patrick, com cinco e dez anos. Voltei a aprender a brincar, a ser espontânea, a reinventar a vida!
O Kaká (Kaique) adora "pregar peça", me assustando. Morre de rir quando tenho medo de algo. Como quando levava o seu ramster para "passear" nos meus ombros... Eu gritava e ele adorava! Reaprendi a brincar. O Patrick mais sereno, traz suas emoções no olhar. Muitas vezes nos comunicamos assim e por ser compreendido dessa forma, ele acabou confiando em mim. Gosta de se abrir, comentar sobre o seu dia a dia ou até simplesmente, ficar ao meu lado. Reaprendi o valor da presença e que mesmo sem palavras, podemos "conversar" e nos entendermos.
Percebo no meu marido Jean, o quanto está impregnado deles em suas digitais, atitudes, gestos, palavras...Do Kaká, na perseverança, na teimosia para conseguir o que quer, em não desistir nem desanimar e ir até o fim. Do Patrick, na meiguice do olhar, na presença confortadora, no aconchego...
Por tudo isso, aproveito este momento, para agradecer aos nossos filhos. Pela criança que deixaram em nós...Por existirem...
Eterno carinho...

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Flora Pires disse...

Minha querida Katia!
Simplesmente tudo!!!!!!!!!!!!!!!!
Ternura, sabedoria, carinho, amor em abundancia e mais que tudo, um enorme exemplo de vida!
Obrigada pelo texto!
Adorei!
Beijossssssssssssss.
Flo!

MARIANGELA BARRETO disse...

Oi Kátia,

parabéns minha amiga,muito linda tua postagem, lições de vida e lembranças maravilhosas recheadas de muito amor, carinho com muita paz e felicidade..
beijos no coração
Mariangela

Sissym disse...

É impressionante a nossa grande capacidade de guardar lembranças de detalhes da vida de cada filho. É o amor.

Agradeço por compartilhar este post, ver os rostos de seus filhos e lembrar que tenho amigas/os como voces, assim como eu sou.

Beijos